quinta-feira, 11 de junho de 2009

É DIREITO NÃO TER DIREITO! – Espedito Lima



Nada de estranho, nada de anormal, tudo dentro da absoluta “normalidade”. Mas, uma indagação: por que o direito não tem direito? É meio complicada a pergunta, não acham? É verdade! Você tem direito de que – a quê?
Certo amigo nosso, recentemente, nos disse que está disposto ir atrás de seus direitos; então lhe perguntei: que direito? De falar o que vejo, sinto e que sei. Mas de que forma, aonde, em que e quando? Insisti com minhas perguntas. Ele retrucou: pode ser no jornal, no rádio, na TV, em qualquer lugar; o que não quero é ficar calado e sem direito. Tudo bem!
E continuou: eu quero ter o direito de ser eu mesmo e de mostrar o que conheço e o que sei; eu quero informar e desmascarar aqueles que nada fazem e mentem vergonhosa e descaradamente pra todo mundo. O povo não sabe de nada. Existem alguns que desejam ser informados, muito embora uma imensa maioria não ligue pra isto; nada quer ver, muito menos saber.
Se eles não querem, eu quero ter meu direito de saber e de mostrar para esse direito obscuro, omisso e negligente a outrem; àqueles que primam por ele e o consideram um “documento” real e válido para os padrões de vida de uma humanidade civilizada, não necessariamente de primeiro, quinto ou último mundo, mas de um mundo que viva e sobreviva à sombra do direito justo, legal.
Ele é reprimido, assim como eu sou também; ele é incoerente e contraia a minha coerência. Ele é bruto e não anseia pela singeleza; ele é irreal, um abstrato, todavia, eu sou comum, desejo ser humilde e sincero. Ele não permite que eu viva desse jeito, a sua ação é cruel; seu comportamento é amparado pela lei e eu sou desprotegido por ele e por ela, literalmente. É um absurdo, mas tenho que conviver com ele, este é meu direito, de não ter direito a ele, ao direito.
Sim, meu caro amigo, mas aonde você vai buscar seu direito? Na lei e na justiça. Mas que lei e que justiça? Quem são estas celebridades? Desfilam por onde e em que canal de TV são vistas? São pessoas confiáveis e atraentes, além de poderosas? Resolvem mesmo seu problema? Você está certo meu amigo; suas perguntas são contundentes, porém cheias de razão. Nem elas têm o direito, por isso como nós termos nossos direitos reconhecidos e garantidos? Ele é mera fantasia, simplesmente uma figura decorativa, esquecida na esquina de qualquer saleta, tal qual um vaso à espera de tipo de lixo que não pode ser reciclável. Aliás, o próprio lixo é sem direito, assim como nós.
O direito dele é castrado; volto atrás e reconheço. O único direito que ele tem, vez por outra, é exatamente ser reciclado, para os outros, não para si mesmo. Esta é sua decepção, sua tristeza, o seu brinde. Ele é levado tapeado, pisado, lançado ao terreno baldio, às moscas e aos abutres, entre outros. E sobre nós praticamente é aplicada a mesma regra, os mesmos critérios, que o direito não nos assiste, simplesmente não existe; apenas, única e exclusivamente aos poderosos. É a regra da lei e da justiça materiais. É o confronto entre o querer e o não ter; o buscar e não achar; o bater e não abrir; o ver e não ouvir.
Afinal, é direito não ter direito. Fazer o que!
VAI! – Espedito Lima


Vai ao longo do ar que ele mesmo respira
E veste-se de água que pinga por perto
Sobre o vazio que ilude o semblante da luz
E ofega a mágoa que limpa o seu plágio

Vai o raso como a profundeza que rasga o abismo
Elevando-se como elegância que aguça um corpo
O tornando num esplêndido véu que o cobre
Mas ausenta-se de si como a sombra que passa

Vai elevando o cajado que fulmina o ódio
Relembrando a postura que varre o fiel
Lampejando o vaso que dobra a ciência
E esfrega a parede que esbarra seu ser

Vai o além que empurra a onda
Sob o céu que inunda uma vida
Clareando a pujança que jorra na terra
A vereda do hoje que inflama o amanhã

Vai à moldura que retrata o fel
Clamando pelo longe que sobeja por perto
Correndo no regaço que ama o vil
Escorando-se no ventre que rasga a flor

Vai o leme que grita sem voz
Enfurecendo a noite que baila de dia
Brincando no campo que volta sem ir
E chora sorrindo e canta o velar

Vai o rio que desce do ar
Espalhando o suor que cansa o falar
Abrindo o manso que ouve sem visão
Visando a fama que nunca chegou

Vai o ficar do ir e a sombra do vem
A volta do ser e a lembrança do mal
O juízo que mostra a face do bem
No encontro que rega a cruel esperança