sábado, 11 de julho de 2009

OS DEUZ(s)E(s) DO MUNDO – Espedito Lima

A narrativa Bíblica mostra claramente que só existiu, existe e existirá um único e Supremo Deus, eternamente, Criador de tudo quanto está ao alcance dos nossos olhos e fora deles, além do nosso pensamento, tanto pelo aspecto material quanto e, principalmente, pelo espiritual, mediante a fé.

A espiritualidade pautada nas regras ditadas e editadas por Deus, a começar pelos dez mandamentos, recebidos por Moisés e transferidos para o povo de Israel e as gerações subseqüentes, conduz o ser humano, suas criaturas e àqueles que se tornarem seus verdadeiros e legítimos filhos, a um caminho de paz; reconhecimento pleno do Deus vivo e único Ser que reside no céu e que, de lá, observa tudo que foi feito pelas suas mãos e vontade, observando também e diuturnamente o comportamento de cada um de nós, que um dia haveremos de ser julgados “todos” pelo seu Filho Unigênito e entregue a ele.

Somente a ele é que devemos adoração, em espírito e em verdade, e não mais absolutamente a ninguém; pois se agirmos contrariamente, estaremos lhe desobedecendo e correndo o grande risco de sermos banidos definitivamente do seu meio e da conquista de seu reino. Não fosse assim, não precisaria que nenhum humano conhecesse a sua lei, seus preceitos, estatutos, juízos e os mesmos mandamentos, todos integrantes da sua constituição, que se resume simplesmente em dez artigos os quais são imutáveis.

Mas, as criaturas, assim como no princípio, deram as costas ao Criador e voltaram-se para elas mesmas “criaturas”. Preferiram e continuam preferindo a figura de um bezerro ou de qualquer coisa, do que a imagem de Deus. Preferem a veneração e adoração a si próprias, do que a Ele. Por isso, foram e estão sendo entregues aos seus “bel-prazeres”, expondo-se à mercê de uma inevitável condenação, a menos que o arrependimento lhe (nos) venha à tempo, para que sejam perdoados os seus pecados (nossos) e que a sua misericórdia, após uma verdadeira conversão assim possa acontecer (nos).

Quantas vezes se deixa de ouvir a sua palavra, de participar de momentos de oração, numa reunião espiritual, numa cerimônia religiosa, na essência do seu significado e vamos atrás de coisas banais, supérfluas; fixamos os olhos numa TV para assistirmos qualquer programa que nada tem a ver de proveito para nós, para os nossos e muito menos com a nossa educação, saúde, segurança, quanto mais questões espirituais, embora este tipo de entretenimento também seja exibido nos mais diversos e variados canais televisivos, assim como no teatro, cinemas e similares.

Muitos são idolatrados, venerados e adorados de tal forma pelas criaturas que terminam sendo vistos e aclamados por elas como verdadeiros deuz(s)es do mundo, tendo direito a cultos com aglomerações e concentrações volumosas, com atos e cerimônias gigantescas, onde se mistura tudo e todos, comungando-se a fantasia e o irrealismo “real” como se estivessem numa ceia preparada para a implantação de uma nova criação, endereçada ao endeuz(s)amento de pessoas que se destacaram e se destacam em áreas específicas ou não, as quais foram e são responsáveis pelo delírio de atrações e de atrair muito mais a nocividade do que o bem, a humildade, o amor ao próximo e uma caridade fraterna, em qualquer circunstância e em qualquer lugar do planeta da terra.

No mundo em que vivemos, quer seja pelo campo fictício, da virtualidade, da regionalidade ou da globalidade, não é difícil nos depararmos com os ídolos, seus admiradores e seus seguidores, com o culto dos vivos e dos mortos, que dominam a consciência inconsciente dos seres racionais que os têm como um deus, mesmo que os façam e os tenham como deuz(s)es, os ainda, consagrando como mitos, heróis e libertadores comuns, salvadores do mal (u) que aliciam o bem e propiciam a vida terrena “materialista” ao estado de um paraíso espiritual, distorcido e totalmente desprotegido.

Aos ídolos, nada; ao Criador, tudo. Aos deuz(s)es, nada; a Deus, tudo.
A ALMA SORRIR Espedito Lima

A alma sorrir seu canto, afugentando o domínio que a angústia lhe dilacera
Levando-lhe ao medo que pela noite é perseguida, caindo nas mãos do tempo que lhe feriu
Mas aumenta o choro que seus olhos anunciam quando o vento sopra a brisa de sua mansidão
Buscando acalentar-lhe pelo vício que rasga a amargura de sua real e humilde solidão

A alma sorrir seu calar, pela voz que clama sua fausta eloqüência
Na cerimônia que exalta sua filósofa ação, engrandecendo seu nome que luzir
Como o brilho que esconde o falso querer e ofusca a alegria que vem
Indo ao encontro do secreto momento que sua vida anseia, mas não tem
A alma sorrir, sobre o véu que cobre o avolumado suor do seu cansaço
Indo aflita ao encontro que se abre no seu profundo e caudaloso coração
Não deixando incomodar o leito que obriga a mente cálida refletir um pensamento
Que fumega o crepúsculo do além e contamina o real pesar que alimenta o sofrimento

A alma sorrir, porque traz consigo a felicidade pela conquista do seu louvor
Enchendo seu sentimento de pura e eficaz alucinação, que envolve o amor do seu perdão
Na ausência do pensar do seu querer e jorra o odor do perfume que ama seu viver
Quando é solícita com o afeto que ludibria seu penar e a faz envolta no pulsar do seu querer

A alma sorrir, perdendo o controle do seu rumo, por acariciar a verdade quer necessita de carinho
Assim como o ar que suspira e levanta o néctar que seu labor produz e lança nos seus límpidos olhos
Os deixando adocicado, tal qual um leme que extirpou o veneno do gosto dos mares que estão bravios
Levados pelos arcos que colhem o sangue das veias, arremessados por ondas que balançam navios

A alma sorrir, porque não suplanta o desvelo que lisonjeia a calma que conduz o seu existencial
Não maquina o orgulho que atinge as pálpebras do seu diminuto, incerto e brusco consolo
Nem anima o florir do outono que despenca na aurora da cavidade da primavera glacial
Como disputa entre ela e ele, num inverno que tem como face o sossego do pranto angelical

A alma sorrir, sem razão, porque não lembra o glamour do seu desfile de modelo interno
Mas encanta-se com o gingado que seu corpo provoca quando usa a lucidez de sua passarela
Evocando a nota que o maestro entoa no íntimo do esteticista que o convida e patrocina
Laureando o vulcão do prazer que detona a mansidão, esquecendo-se do erro que nunca a elimina
UM OLHAR – Espedito Lima

Vagueia pelos ares e sombreia a luz que cobre a mansão do seu ver
Escorregando seu pensar sobre um sorriso singelo e encantador
De uma donzela que tem a cor de canela e esbanja sua alegria
Como se fosse um líquido sublime que amacia o gosto duma fatia

Corre como um cego que enxerga o braile do papel que lhe fala
Tal qual uma letra grega que assume a paternidade do seu alfabeto
Indo de encontro à majestade que ostenta a coroa do filho do fel
Mas se encanta com a manjedoura que deu à luz ao servo do mel

Tremula no campo que a relva enverdece sua sensata palidez
Esculpindo o manto na moldura que lembra seu sorriso a fluir
Como garça que voa levando consigo a veste genuína e nupcial
Içando a bandeira que o vento sacode no extremo celestial

Alimenta-se do pão que ele fabrica no sossego veloz da madrugada
Fermentado pelo galanteio da noite que aquece a brisa da manhã
Enaltecendo o calor jorrado do sol que ilumina seu rubro coração
Que tanto lhe fala, lhe pede, exalta a fome do beijo que traz emoção

Avassala o deserto que habita a sede do fácil e salutar viver
Demonstrando que nada acontece sem o fruto da árvore do bem
Que causa o espanto da serpente que fulminou a vontade da mulher
De amar seu varão que nunca pecou buscando seu breve prazer

Adocica a lente que ver a penumbra vivida pelo forte e caudaloso luar
Assemelhado ao tempo que surge dentro do hoje e fora do ontem
Como o raso que se aprofunda na cavidade que encoraja a paixão
Atormentando o vício que alucina a ganância fútil e fiel da mera ilusão

Exalta a festa que descansa no divã abraçando o sonho das ondas do mar
Em alta tempestade que semeia a fonte do vaso que colhe o lindo pomar
Alegando que a valsa dançante e o tango solfejado pelo faminto paladar
Aumenta a doença causada pelo rumor instigante de um saudoso olhar