quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A MORTE - Espedito Lima

A notícia se espalhou, o pranto rolou; uma missão cumprida, etapa vencida
Um suspiro final, uma agonia real; legítimo desaparecimento
Espetáculo fatal, o choque chegou; faltou a coragem, o movimento
O pulsar agonizou, terminou o inicio e o fim; pra uns bom, pra outros, ruim

É ato de tristeza, frieza e incômodo; lágrimas correm sobre rostos cálidos
Lamento regado à saudade e sentimento; desespero da matéria e do espírito
Do abandono e da distancia
É a perda obrigatória do viver; paz do repouso certo e parcial
Estancada precisa e marca do ser

Sóbria amargura que se abate no semblante avassalador dos que ficam
Observando a cumplicidade da passagem própria e inevitável
Em busca da necessidade Divina do acabar
Prematura vingança que se foi do porvir
Facho de luz que acendeu e apagou, a solicitude que embarga a causa do existir

Fato indispensável que vigia o fragmento do corpo que desabou
Sobre o elemento oxigenado que se perdeu. Na cédula dividida que se fulminou
No amanhã do hoje, do futuro e do presente; versa a clareza da parada da vivencia
Deixando o rasgar do pesar que consome a gente

Objeto vulgar que não se pode desprezar; da manhã comum que se desfaz
Como função que se desloca da razão; processando o término duma composição
Artífice fôlego que o alicerce causou; na espessura do sustentáculo humano
Cuja coluna óssea se desmoronou

Motivo fecundo do desespero profundo; arrastão natural da história da partida
No espanto cruel da áspera solidão, da infinita exaustão da cabal frustração
Caminho livre da vinda e da ida esperada; no vagar da amplitude imaginária
Que desmonta o selo da vida desfigurada

Tensão frenética do exemplo da cruz; no mandamento que Deus não deixou
No rol dos dez que ele ditou; sendo o único na terra que não ficou
Violação concreta do premio perfeito; que rejeita o ficar da ordem maior
No cenário fiel à sombra do desrespeito

Fútil esqueleto que desce à terra; depois do fechar no velar do caixão
Que se vai a caminho do abrigo marcado; traçando o percurso da desolação
Vítima segregada na ventura da sorte; que se esmaga na profundeza da realidade
Como poema mísero que fala da dor que nos leva à morte

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