sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

OS TEMPOS - Espedito Lima
Fico olhando, um tempo que foi; o tempo que vejo, o de hoje e o de amanhã. O primeiro me fala que seu tempo era bom e que ninguém lhe reclamou nada; o segundo me mostra que no seu tempo, o tempo era mais ou menos e o terceiro, me revela que tanto o primeiro quanto o segundo existiram antes dele, por isso nada sabe a respeito deles.
Mais insisto em saber deles, por exemplo, se os tempos, todos eles, nada sabem sobre o que durante eles existiu de notável, fenomenal e se houve algo que tivesse deixado um relato sucinto da vida que se foi, que se viu, o que se fez e o que receberam. A resposta que me deram é sobremaneira rudimentar, pois responderam categoricamente que era normal, tudo natural, embora tivessem acontecido fatos que transformaram a vida do ser humano, em todas as situações, desde o implante de cabelos a subida ao espaço; desde os transplantes de órgãos a diversidade de religião; desde a fabricação de robôs à clonagem de animais; desde a penicilina à ultrassonografia que define o sexo do bebê; desde o 14bis ao supersônico; desde a Baronesa ao trem bala; desde a invenção do papel ao computador; desde a sombra na parede ao cinema; desde o rádio à televisão; desde as carroças ao mais moderno veículo automotor. São muitos os inventos, são muitas as descobertas e foram muitas as revelações; deles, dos tempos.
Doravante o relógio e os demais marcadores do tempo nunca se degladiaram num ringue e muito menos se nocautearam; jamais manifestaram seus desejos e aspiraram o Oscar da disputa por um tempo saudável, exigindo para si mesmos, a coroa de um reinado pelo domínio deles mesmos ou de um povo. Esperaram-se algo mais interessante do que eles, indubitavelmente ocultaram a conversa que mantiveram entre eles e o mundo e nós não conseguimos decifrar o conteúdo desse diálogo.
E foram eles, passando por todos, levando consigo o que não puderam e deixando muito ou um pouco das coisas que eram deles, mas que depois que lembraram de nós, as nos deixaram, mesmo que essas coisas sejam vãs; não importa, o importante é que algum proveito, alguma lição nós tivemos e estamos com elas. Algumas ruins, outras boas; algumas merecedoras de nossa confiança, outras nos causam demasiada desconfiança e vamos nós, através deles, dos tempos. Um dia nos encontraremos, não sabemos aonde nem quando; não sabemos o que eles reservam para nós e nem o que levaremos para eles. A certeza disto é incerta quanto ao que eles têm e o que nós temos, se é que eles têm alguma coisa e nós também.
Nós somos o tempo e o tempo é nós.

Um comentário:

Anônimo disse...

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