domingo, 13 de janeiro de 2008

PAPEL E MADEIRA - Espedito Lima
Acontecem fatos em nosso País que são inusitados, nos deixam intrigados, cabisbaixos, estupefatos e boquiabertos; além do mais, com uma farta interrogação. Não fosse assim, deixaríamos os mesmos fatos se sucederem normalmente, sem nenhum problema; mas costumeiramente vemos, ouvimos e assistimos coisas que não dá pra entender, mesmo usando a máxima normalidade da nossa capacidade de assimilação e de percepção.
O brasileiro vive por de mais mergulhado num emaranhado festival de taxas, tributos e impostos e ainda é obrigado a uma prisão domiciliar, hoje em dia, sem haver cometido qualquer espécie de crime; privando-se muitas vezes, portanto, de tudo e de todos, tendo em vista a sua ínfima segurança, quer seja de natureza pessoal, familiar ou funcional. Ele está sendo sempre um alvo, não interessa quem seja ou o que faça, na cidade grande ou na pequena, se é rico ou pobre, preto ou branco, evangélico ou católico.
A violência o faz refém de si próprio, pela falta explícita da responsabilidade de muitos administradores, detentores de cargos que os obriga a agirem e tomarem posições de forma enérgica, urgente e com inteligência para que se evite que ela seja efetuada e efetivada, por aqueles que não fazem outra coisa a não ser mercantilizar o seqüestro, o roubo, o assalto, o homicídio, o estupro, entre outros.
ONDE ESTÁ A SEGURANÇA, garantida pela Constituição? A quem devemos recorrer e quem nos pode defender: a nossa pessoa, nossa família e nosso patrimônio? Estamos vivendo e sobrevivendo como se estivéssemos encurralados numa jaula que aprisiona os animais ferozes, dos quais também tentamos nos defender; mas pelo menos eles nos parecem ser mais dóceis do que o ser humano que é racional, nosso semelhante. É o fim, sem início e sem meio; sem ida e sem volta. É o descaso que nos afronta, nos deixa indefesos e sem possibilidade de nenhum tipo de ação e apelação.
Estamos expostos e à mercê dos que burlam a lei, vivem na plenitude da marginalidade, da desocupação, usando de uma índole que cega, destrói, fere e mata; sem repreensão, castigo ou punição. É a liberdade para a prática do mal, acobertada pelos que deveriam aplicar a severidade legal e inibir de uma vez por todas, os atos insanos dos magnatas “aspeados” da VIOLÊNCIA. É o descaminho que leva à brutalidade inconseqüente de um ser que se cognomina (HOMEM); e é também o píncaro do cúmulo absorvido pela catástrofe degeneração deste mesmo ser –HOMEM/HUMANIDADE.
Mas, mesmo assim aplaudimos ou muitos aplaudem a ESCOLTA, com policiais fortemente armados, de quadros que mostram imagens, pintadas/pinturas, painéis; em PAPEL e MADEIRA, que valem por certo, muitos mais que nós, seres humanos e criaturas de Deus. Nós não somos o MASP nem seus objetos e artes valiosos, seus quadros expostos sob proteção e aparato policial com equipamentos de última geração, principalmente depois que lhe adentraram e lhe fizeram uma limpeza parcial. O patrimônio promocional de seres inominados ou dos artífices renomados, vale muitos mais do que o cidadão que trabalha, inclusive contribui imensamente para a segurança deles e vê a sua completamente despojada, tal qual uma mulher que perdera sua virgindade, honra maior da sua existência e do seu proceder.
A CIDADANIA brasileira é o PAPEL e a MADEIRA.


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