FUI O PRIMEIRO
Espedito Lima
Privilégio – palavra que traduz tudo quanto revela uma satisfação, um prazer, uma alegria; pode ser também um pioneirismo, o surgimento daquilo que causa uma novidade, e até mesmo um marco, disto ou daquilo; naquilo, em quem ou com quem, tudo isto, segundo o nosso rústico pensamento, principalmente para o fato que passamos a mostrar daqui pra frente, nas linhas seguintes.
A estação, praticamente já era a da primavera, pois a data 25, de setembro, claro; foi quando ela, a criança, saiu do ventre de sua mãe, após uma gestação normal de 09 meses, extraída por suas mãos, as de Floripes Cavalcante de Araújo, a queridíssima “mãe lolita – aliás, MÃE LOLITA”. O ano foi o da morte de Getúlio Vargas, o grande estadista brasileiro – l954; a cidade e o estado, Jeremoabo-Bahia, nordeste do Brasil.
Ela era de lá, de Inhambupe e ela, a criança, daqui, da cidade já citada; ambas, evidentemente, do mesmo estado baiano. Ela, esposa de um conceituado médico; e ela, a mãe da criança, uma jovem sem esposo.
Sua coragem e sua hábil técnica, aliadas ao dom que Deus lhe deu, a partir daquele momento fincaram no pedestal de uma história, um capítulo especial de sua trajetória enigmática, pois além de pegar aquela frágil criança com suas mãos límpidas, ela inauguou talvez uma profissão que jamais houvesse pensado em exercê-la, a de PARTEIRA, e lograsse para si própria, a felicidade de se transformar oficialmente, numa segunda mãe. Ela também, pra sua maior felicidade, experimentou o ser uma genitora, não somente dos seus filhos naturais, mas de muitos outros e tantos que os seus olhos viram e que seus braços agasalharam.
Ao findar o quarto parágrafo, acho que os mais apressados, já indagaram: quem é, quem foi essa criança e que nome lhe deram? De repente, quem sabe, antes do término desta simples crônica, seja revelado o seu nome. Não se trata de suspense, apenas uma modesta performance para mostrar ao nosso ilustre internauta, leitor e visitante deste site, a magnitude de uma mulher que carregou consigo, a mais de quatro décadas, a prazerosa e gratificante honra de tirar de milhares de ventres; vidas, seres humanos, meninos e meninas, que se tornaram homens e mulheres, país e mães, avôs e avós.
E seu nome? Não lembram mais? Muitos, não; esqueceram totalmente, ignoraram a sua profissão, sua existência e sua história. As criaturas, nós somos assim, fáceis de exterminarmos, nós mesmos e os nossos semelhantes, não importam as razões. Mas o passado resiste ao esquecimento; o presente encara a realidade e o futuro dirá, à descendência posterior, algo que aconteceu em ambos -passado e presente-, obviamente.
Seu nome encontra-se no segundo parágrafo e aqui não se trata de nenhum apocalipse, mesmo porque ela é Divina, espiritual; a nossa - revelação, no caso em tela, é carnal, material. O primeiro parto que ela fez, foi o da jovem chamada Terezinha Soares Lima, e a primeira criança que ela pegou, filho desta, “FUI EU” e me registraram com o nome de Espedito Soares Lima “Espedito Lima”.
domingo, 17 de junho de 2007
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