sábado, 16 de junho de 2007

VIVAMOS A VIDA

Espedito Lima


É desleal imaginar que o arvoredo sintila sobre o orvalho da manhã, para ferir a beleza que se encanta com o falar da natureza, abrindo caminho da mansidão que embriaga o olhar do homem.
Ah! Se pudéssemos ouvir o cantar da aurora e andássemos perplexos, não porque estávamos sorrindo com a ausência do sonhar, desfrutando o sentimento da culpa de feri-la, mas de tê-la como se fosse uma rosa na palma da mão, com suas pétalas a exalar o odor suave e macio, tal qual a seda que se faz do algodão.
É como se fosse um coração aberto a receber no seu âmago, um pulsar veloz que anima a triste veia por onde corre o sangue, parcialmente impedido de percorrer seu caminho à busca de transformar uma existência real e sublime de um ser, um ser humano. É a felicidade que tem como virtude o prazer de se alegrar e contar história do tempo, não das fadas, mas de uma época que traduz saudade de um viver cordial, lançado no alicerce da paz, que ventila o suor da fraqueza e respira a fortaleza de uma ação digna, suplantada na alma que sonha com um tempo sem fim.
Como é bom imaginar o querer do hoje e a realeza do amanhã, quando ambos representam um agasalho de confiança sem rebeldia, sem tortura e sem danificar a consciência que intimida um prazer infinito. É o tempo que se foi, envelheceu; é o tempo que veio, renovado, demonstrando o artífice comum que moldura uma simples imagem, fixada numa parede que reluz, como um espelho que reflete o passado que surge no presente, mostrando que a vida não é só um querer; é também uma necessidade imposta por uma condição, que anima o tempo da própria existência.
Vale a pena viver! - a vida é uma poesia que aquece a frieza do nosso rancor e doma a crueldade das nossas paixões; destrói o nosso ciúme e sepulta as pretensões do nosso egoísmo. Ela vela pelo nosso caminhar, reclama o nosso proceder e estimula o bem que se abate sobre nós. Oh vida! Que prazer! Que alegria! Que viver! Vivamos: cedo ou tarde, noite ou dia, com frio ou com sede, dormindo ou acordado, sonhando ou com pesadelo, vestido ou nu; católico, protestante ou evangélico, espírita, com qualquer cor, qualquer língua, qualquer vício; em qualquer lugar, com fome ou sem ela. VIVAMOS A VIDA, ELA DEVE SER VIVIDA.

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